Alfabetização midiática: entre o “ceticismo saudável e o reflexo de jornalista”

No primeiro episódio do Diálogos ObservInfo, a doutora em Ciências da Comunicação Cristine Marquetto explica sobre Alfabetização Midiática

Assista ao nosso primeiro episódio de Diálogos ObservInfo

O Observatório Internacional Estudantil da Informação (ObservInfo) lançou, nesta quarta-feira (01), um novo programa em seu canal de YouTube: Diálogos ObservInfo. A ideia é trazer ao público uma série de entrevistas com profissionais e especialistas que possam refletir sobre temas importantes em torno do universo midiático brasileiro.

Neste primeiro episódio, a doutora em Ciências da Comunicação pela UNISINOS Cristine Marquetto fala sobre sua tese de Doutorado, defendida no início de 2021, cujo título é Alfabetização midiática e jornalismo: práticas jornalísticas na escola para o desenvolvimento do pensamento crítico no combate à desinformação.

Marquetto explica que “Alfabetização Midiática” é uma prática nova, surgida na segunda década dos anos 2000, que significa “ensinar sobre a mídia, falar sobre a mídia, seus processos, sobre construção de significado, os interesses envolvidos, o contexto de produção” cujo objetivo central é a formação de um pensamento crítico do leitor. “A gente chama de um ceticismo saudável ou um reflexo de jornalista”, afirma.

Olhar para um conteúdo jornalístico com autonomia para se questionar sobre os motivos e intenções por detrás da narrativa é também uma forma de combater a desinformação e as Fake News. De acordo com a pesquisadora, os últimos relatórios de 2019 da União Europeia e da UNESCO apontam que a alfabetização midiática pode ser um caminho de solução diante desse cenário.

“Um dos principais objetivos da desinformação é confundir. Eles não necessariamente querem que a gente acredite nas coisas, mas nos confundir para que a gente fique sempre em suspenso. (…) Eles querem que as pessoas fiquem com medo e com dúvida. E dessa forma, nós não chegamos num consenso, numa solução, numa decisão e nós não nos unimos enquanto sociedade. E assim não batemos de frente contra alguns interesses”, reitera. 

Em seus estudos, Cristine teve contato com a Alfabetização Midiática na Finlândia – país mais avançado em torno da iniciativa, cujas atividades acontecem desde a educação infantil e são incentivadas pelo Estado, na França, ainda tateando as melhores formas de fazer e nos Estados Unidos, que acabou não usando na tese em função do caráter mais empírico e menos teórico das ações.

No Brasil, a pesquisadora aponta pouca ou nenhuma vontade política por parte dos governantes, mas reitera a criação do Campo Jornalístico Midiático na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ministério da Educação como uma abertura para se pensar a Alfabetização Midiática, embora sejam necessárias revisões acerca das competências. Todavia, Marquetto lembra de outras iniciativas brasileiras, ainda isoladas, mas importantes de mencionar, como a EducaMídia de São Paulo, o ObjEthos, de Santa Catarina e o próprio ObservInfo.

Na entrevista, a pesquisadora também explicou a diferença entre os termos Educação para Mídia, Educomunicação e Alfabetização Midiática e deu algumas dicas principais para o leitor, a serem cultivadas no cotidiano no contato com a mídia, seja internet, TV, rádio ou impresso, não importa, já que o desenvolvimento do pensamento crítico está na observação atenta do conteúdo.

Assista a entrevista completa para saber mais!

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