No combate à desinformação, não basta checar. É necessário aprender

No episódio 3 de Diálogos ObservInfo, Chico Marés e Raphael Kapa, coordenadores da Agência Lupa, conversam sobre os processos, características da checagem de fatos e explicam os projetos de Educação para mídia

Por Maria Eduarda Cidrão

Verificar informações, confirmar dados e comprovar discursos são algumas das funções de uma agência de fact checking, empresas ou instituições jornalísticas responsáveis pela checagem de informações – por vezes distorcidas ou falsas – que circulam popularmente, sobretudo nas redes sociais. No Brasil, a Agência Lupa, criada em 2015, é uma das responsáveis por essa abordagem.

Em entrevista ao ObservInfo, o responsável pela coordenadoria de Jornalismo da Lupa, Chico Marés, detalhou o trabalho da agência: inicialmente há um monitoramento de redes em busca de conteúdos mais populares, seguido da procura por informações públicas disponíveis sobre determinado assunto. Posteriormente, chega-se à fase de produção e edição de texto, além da rechecagem e, finalmente, a publicação vai para o site e as redes sociais oficiais da Lupa, onde o público consegue consumir o trabalho previamente apurado.

Apesar de pertinente, o surgimento de uma agência de fact-checking no Brasil ocorreu em uma ocasião tardia, fazendo com que o movimento de checagem seja relativamente novo. “Enquanto movimento mundial, era uma coisa que as grandes redações deveriam ter olhado (…) a gente [jornalistas] demorou a perceber esse movimento”, explicou Raphael Kapa, também coordenador da Lupa.

A demora, segundo Marés, se deu devido à mudança tecnológica na velocidade do jornalismo, como também à criação da Lei de Acesso à Informação, em 2011, no Brasil. “Antes dos anos 2000 você tinha uma dificuldade muito grande de ter acesso à base de dados públicos. Hoje há muito material, muita informação disponível nas redes. O processo é muito mais rápido”.

Na entrevista, Marés ainda complementou que existe uma divergência entre fatos e coisas subjetivas. A Agência Lupa, por exemplo, mantém firme algumas diretrizes: “Só checar coisas que são passíveis de serem verificadas. Não checar opinião, nem checar futuro”. Ademais, há o entendimento de que a checagem é uma referência no combate à desinformação, mas não é o único caminho.

“A gente precisa fazer uma formação das pessoas para entenderem a relevância que é pensar mídia e até mesmo se protegerem da desinformação”, ressaltou Kapa, autor do livro Educação Midiática — Por uma Democracia Digital (2020). Para que essa formação ocorra, a Lupa também idealizou um projeto de Educação para a Mídia com a realização de oficinas personalizadas, onde o público, de áreas completamente distintas e de várias idades, tem acesso a temáticas que envolvem os bastidores do universo jornalístico.

A proposta educacional, segundo Kapa, tem como objetivo formar um “exército de checadores”, em que a tentativa é de fazer com que todas as esferas sejam atingidas pelo caminho da checagem, através dos projetos de oficina, desde o ensino básico até a educação superior.

Durante a conversa, os jornalistas reiteraram também sobre os possíveis enganos que podem ocorrer durante o trabalho de checagem, além da forma de lidar com os haters. “O que nós fazemos é tentar ver quais críticas são válidas. Quando há, a gente tenta responder da melhor maneira possível”, fala Marés. Kapas afirma ainda que há uma “surpresa do público” quando as críticas pertinentes são absorvidas.

Os coordenadores também ressaltaram que, para romper o ciclo da desinformação, é importante manter um ceticismo saudável, como também um silêncio estratégico perante a uma informação falsa, pois compartilhar o que desinforma, acaba espalhando de forma exponencial. Para mais dicas de checagem, conhecer detalhes do trabalho da Lupa e saber como fazer parte das oficinas da agência, assista ao vídeo na íntegra.

O Observatório Internacional Estudantil da Informação é um projeto de extensão/pesquisa idealizado por professores da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (FAC/UnB) e tem como objetivo promover oficinas de Educação para Mídia para alunos e professores, divulgação de conteúdos para a comunidade que visem refletir a produção midiática, combater a desinformação e suscitar um pensamento crítico.

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