Como fazer com que as redes deixem de ser cozinhas de ódio e locais onde se é fomentado ataques à democracia?

Na parte 2 do Episódio 4 do Diálogos ObservInfo, o jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto fala dos limites da educação midiática e a necessidade da responsabilização das plataformas digitais

Por Nathália Coelho

Combater a desinformação na internet não é uma tarefa apenas dos usuários, passa também pela necessidade da responsabilização das plataformas digitais e de uma justiça forte o suficiente para responder e punir discursos de ódio. A conclusão é do jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto, e foi dita na segunda parte do nosso episódio 4 do Diálogos ObservInfo.

As plataformas “precisam ser responsabilizadas por conta da estrutura, da sua arquitetura que possibilita, através dos seus algoritmos, que discursos de ódio ganhem tração, que mentiras ganhem tração”, reitera.

Segundo Sakamoto, o conhecimento e a convivência social a partir do preceito democrático da pluralidade não é fomentado pelo modelo de negócios das redes sociais, baseado na entrega de conteúdos nichados, a partir das interações e gostos das pessoas, propiciando a propagação publicitária, o engajamento (independente dos temas), a formação de bolhas e, como consequência, uma polarização.  

“As pessoas deveriam ter acesso não só aquilo que elas querem ver, ser mais amplo, ampliar que o mundo vai além, inclusive o mundo de diferenças, não aquilo que é uma caixa de eco. Mas isso bate de frente ao modelo de negócio delas”, afirma. É necessário, para Sakamoto, garantir que a engenharia e a rentabilidade das plataformas não se pautem somente pelo clique, pela audiência.

Neste sentido, a formação de um pensamento crítico frente às mídias não depende somente de ações de uma educação para mídia ou de agências de checagem. “São fundamentais, mas não alcançam o mesmo rastro da mentira”, afirma.

Sakamoto afirma que a mentira é sedutora, enquanto a verdade dos fatos pode desagradar. “Inclusive, uma pessoa que propagou uma mentira dificilmente vai querer propagar o desmentido porque isso significa reconhecer diante do seu grupo social que a informação que ele produz não é confiável”, finaliza.

O que fazer? PL das Fake News

Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 2630/20 – “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet -, conhecido popularmente como “PL das Fake News”, cujo objetivo é promover uma regulação das plataformas digitais no Brasil. O texto, modificado diversas vezes, já foi aprovado no Senado, em junho de 2020, e segue em discussão na Câmara dos Deputados.

Para Sakamoto, o PL tem pontos importantes, tais como a necessidade de uma representação jurídica das empresas no Brasil. Em fevereiro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teve problemas para contatar o responsável pelo Telegram, serviços de mensageria russo, para firmar um acordo de combate à desinformação nas Eleições 2022.

Novo ofício do TSE, inclusive, foi encaminhado, na última quarta-feira (09), para um escritório no Rio de Janeiro que representa a empresa em assuntos de propriedade intelectual.

“A ideia é exatamente não ficar à mercê de nenhum país, mas ao mesmo tempo, ela [plataforma] acaba se tornando território de ninguém, sendo povoado, sendo colonizado como está acontecendo agora com os seguidores e o próprio presidente da república visando as eleições”, exemplifica.

Sakamoto relembra o uso do Whatsapp nas eleições passadas para a disseminação de desinformação e os critérios de autorregulação que têm sido adotados sistematicamente nos últimos anos.

Outra questão de relevância para Sakamoto é o “anonimato somado com a capacidade de viralização”. “O problema de uma coisa viralizável e anônima é que você joga uma mentira e deixa correr, o que é muito útil nas eleições”, ressalta. Nesse quesito, inclusive, Sakamoto relembra que no artigo 5º da Constituição Federal, a legislação brasileira veda o anonimato ao falar sobre liberdade de expressão, justamente para evitar a censura prévia, mas garantir a responsabilização a posteriori.

Assista o vídeo completo clicando acima! Aproveite também para navegar em nossos conteúdos do Observatório Estudantil Internacional da Informação (ObservInfo) em outras plataformas:

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